Vítima de crime de Burla pelo Ponta Grande Resort

No dia 28 de Abril de 2009, celebrei um contrato de adesão com o Ponta Grande Resort, contrato esse que propunha a minha adesão como associada e, apenas, apresentava os custos de adesão e condições de pagamento.

De mencionar que na origem da referida celebração de contrato esteve uma oferta/voucher oferecido pelo marketing do Resort, através de contacto telefónico efectuado pelos mesmos para o meu telemóvel pessoal.

Relativamente às condições de pagamento, fiquei consciente que seria necessário efectuar um crédito pessoal, pelo prazo de 5 anos, com a Instituição Credibom, cuja prestação mensal seria subjectivamente de 119,00€, isto porque, efectivamente, e fazendo fé nas afirmações/palavras e nas contas efectuadas pelo funcionário que representava, na altura, o Resort (o Sr. Augusto Martins), eu só iria pagar, na realidade, a quantia monetária de 6,00€ mensais, sendo os restantes 113,00€ saldados, automaticamente, com a venda da minha semana anual gratuita (direito que adquirira, imediatamente, ao tornar-me membro naquela data).

Saliento que aquando das primeiras abordagens que me foram sendo feitas (primeiro através do funcionário que entregou o voucher para a semana gratuita, depois, e já no resort, pela funcionária “Mimi” que efectuou a visita guiada ao empreendimento e depois, ainda, pelo seu chefe, o tal funcionário Augusto) a minha resposta foi sempre categoricamente “NÃO, Não posso! Não vale a pena insistir porque o meu orçamento doméstico não me permite tal luxo”.

Infelizmente, para mim, acabei por ceder face a tantas contas, garantias e promessas, as quais fui sempre questionado (até porque ninguém dá nada a ninguém), mas as respostas eram sempre as mesmas e a funcionária “Mimi” reforçava as respostas dadas, lembrando sempre que o seu Chefe possuía, efectivamente, poder para decidir pelo que se ele estava a propor tal situação (que não acontecia frequentemente, apenas em casos excepcionais e eu era um e não deveria depois dizer aos meus amigos) era porque a mesma era possível e eu deveria aproveitar.

É verdade que na altura, ainda, questionei o Sr. Augusto Martins porque é que o valor da venda da tal semana anual gratuita, cujo valor associado (cerca de 1356,00€) não constava do contrato, no entanto, e tal como em todo o discurso, o Sr. Augusto possuía sempre uma justificação e para esta minha pergunta não foi diferente, alegando que se aparecesse no contrato, eu depois podia sempre reclamar a semana gratuita que, entretanto, já havia sido paga. E que era essa a política do Resort. Acrescentou que não me preocupasse porque em Agosto a semana era vendida e o dinheiro depositado na minha conta bancária. Depois era só eu geri-lo (uma vez que seria o valor correspondente a 12 mensalidades) de modo a honrar os meus compromissos financeiros com a Credibom.

Ao fim de quase quatro horas a tentarem convencerem-me a aceitar o referido contrato e face às minhas dúvidas em aceitar/acreditar, o Sr. Augusto, ainda, usou de outros meios insidiosos e enganosos, chegando mesmo a questionar-me se eu tinha a intenção de revogar a minha adesão no prazo de 14 dias, visto estar a esforçar-se por encontrar uma boa solução para ultrapassar o meu deficit financeiro e tornar-me associada, uma oportunidade que não deveria perder.

Por fim, ainda, ofereceu tanto a mim, como à pessoa que na altura me acompanhava e que é minha testemunha neste processo alguns vouchers VIP (certificado de férias) a usar quando entendêssemos, demonstrando, mais uma vez, possuir poder entre as chefias. Também fez questão de me advertir para o facto de, findos os 10 anos de adesão, poder sempre vender, ao Resort, a minha adesão, pelo preço de aquisição.

No dia 3 de Maio, após uma queda, parti a tíbia e o perónio da perna esquerda, o que originou a minha hospitalização e consequente cirurgia urgente devido à gravidade da situação. Obviamente, as minhas prioridades/disponibilidade mental e física para tratar deste assunto acabaram no final da minha lista.

Mas, a minha situação clínica grave não se constituiu um obstáculo para o Sr. Augusto (e também para a Sr.ª Mimi) que constantemente, e de forma até constrangedora, telefonava a pressionar a assinatura dos vários contratos, inclusive o da financeira. Saliento que a Credibom NEGOU-SE a conceder-me o empréstimo, mas o Sr. Augusto arranjou maneira de dar a volta à situação e tratou tudo para que chegasse até mim um novo contrato com concessão de empréstimo (todos os contactos efectuados com a Cetelem foram realizados pelo Sr. Augusto). Em causa estava sempre o facto de ser necessário acelerar o processo sob condição de não ser depois possível vender a tal semana e assim depositar na minha conta os 1356,00€ (valor anual, durante os cinco anos).

Assim, a 30 de Abril foi-me enviado, então, um novo ofício, desta vez com as alterações das condições de pagamento, onde eu deveria remeter ao Resort um cheque no valor de 5000,00€ para liquidação do contrato.

No dia 03 de Junho foi-me enviado o contrato da Credibom anulado e o contrato da Cetelem para assinar. Porém, a prestação mensal era de 125,32€ e não de 119,00€, pelo que o Sr. Augusto ordenou-me que não enviasse o cheque no valor de 5000,00€ porque tinha que deduzir as despesas de contrato e a diferença de valores das mensalidades e que aguardasse pelo envio de um novo contrato, o que fiz.

Em 01 de Julho recebi novo ofício com as condições de pagamento e novo contrato, solicitando-me, desta vez, que remetesse um cheque ou efectuasse uma transferência bancária no montante de 4500,00€ para liquidação do contrato.

O Sr. Augusto coagia-me de tal modo e maneira, sempre sob o pretexto da venda da semana, que inclusive até solicitou que logo que eu efectuasse a transferência enviasse o comprovativo para o seu e-mail pessoal, o que fiz.

No início de Setembro, após várias tentativas para contactar o Sr. Augusto, em virtude de não ver depositados na minha conta bancária os tais 1356,00€, entrei em contacto com o Resort, tendo sido informada que o mesmo estava de férias. Mais tarde e após novo contacto fui informada pela Sr.ª Elsa Alves que tanto o Sr. Augusto, como a Sr.ª Mimi já não trabalhavam no Resort.

Ao fim de quase 3 meses e em conversa com a Sr.ª Elsa, tomei então consciência que tinha sido vítima de um crime de burla e estava agora com um grave problema financeiro para resolver. Que o contrato que havia assinado com aquela entidade, não garantia o pagamento dos tais 1356,00€; que só no ano 2010 tinha direito à tal semana gratuita, que a ser vendida, não ultrapassaria os 500,00€ e que, ainda, teria de pagar anualmente as quotas para poder usufruir dos serviços. Esta mesma Sr.ª ainda questionou se eu não havia achado que a proposta era demasiado aliciante para ser verdadeira. Efectivamente, achei. Contudo, o que é facto é que eu não fui abordada no meio da rua, mas dentro de uma empresa de hotelaria e turismo! Não fui abordada por um indigente, mas por funcionários, responsáveis (pensava eu), identificados e a receberem um salário! Que não fui eu quem quis/propus, de livre vontade, tornar-me membro, mas que fui seduzida/coagida a tal. Posteriormente, e após análise da minha situação, a Sr.ª Elsa acabou por enviar uma declaração para que eu assinasse.

Foi na sequência dessa mesma declaração e ao efectuar a sua leitura (tendo ficado com algumas dúvidas, nomeadamente, a não garantia dada de aluguer e a comissão de 35% cobrada caso a semana fosse alugada pelo Resort) que recorri ao aconselhamento jurídico da DECO (da qual sou associada). Das várias soluções propostas (entre as quais a formalização de uma Acção de Anulação do Contrato, com um senão para mim, nomeadamente, as despesas que estariam associadas) acabei por dar o meu consentimento à DECO para mediar as partes, na tentativa de uma resolução extrajudicial, ficando, eu, a aguardar.

No dia 11 de Dezembro de 2009 recebi uma carta da DECO em que dava conhecimento do resultado das diligências, entretanto efectuadas, e anexava uma carta (datada de 01 de Dezembro de 2009) remetida pela Selling Power, Lda, em resposta às ditas diligências, ao que tive o cuidado de responder com data de 28 de Dezembro.

A última carta que recebi da DECO (datada de 7 de Junho de 2010), veio informar-me que interpelaram por diversas vezes a Selling Power – Marketing de Clubes de Férias, não tendo obtido resposta, depreendendo-se a sua total indisponibilidade para qualquer tipo de resolução.

Em 07 de Dezembro de 2011 recebi uma carta registada cujo assunto era Último Aviso para pagamento de Quotas em atraso. Informavam que decorrido o prazo de 30 dias a contar da data de expedição da referida carta e caso não regularizasse o valor em dívida o contrato iria ser cancelado conforme previsto no acordo de adesão.

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4 Comentários para “Vítima de crime de Burla pelo Ponta Grande Resort”

  1. antonio diz:

    sao todos ladroes e vigaristas que andam a viver a conta de quem e honesto e trabalhadores.alerto a todos os portugueses que tenham cuidado com as ofertas de semanas de ferias que seram burlados automaticamente sem se aperceberem,tambem ja fui vitima.

  2. rita diz:

    Boa tarde, esta situação. aconteceu comigo tambem, a minha pergunta é, visto ja ter perdido os 5 mil euros que paguei, que ja não faço conta de os vir a receber, o tal condominio, eles podem obrigar-nos a pagar? pq eu ja não pagio faz dois anos, so perco direito a minha semana e as condiçoes? ou funciona como os condominios das casas? muito obrigada

  3. RP diz:

    “Em 07 de Dezembro de 2011 recebi uma carta registada…” 7 de Dezembro de 2011???? recebeu…de facto e´ uma historia recorrente no nosso Portugal, mas ja recebeu uma carta vinda do futuro!! estes gajos nao brincam!!!! hoje estamos a 29 de Setembro de 2011…..

  4. PG diz:

    E incrível como empresas como estas tem uma pratica de penetração furtiva sem escrúpulos, sem respeito pelo o próximo unicamente com o intuito de concluir a venda.
    Faz-me lembrar o caso de empresas de colchões que usam de uma pratica muito comum a esta para se aproximar das pessoas, invocando tratar-se de fazer um rastreio.
    As pessoas assustas vão a este rastreio e depois acabam por se ver confrontadas com a venda de colchões, como é o caso de ortobedding que neste momento esta a utilizar este tipo de pratica na zona de Lisboa.
    Na internet pode-ser ver vários casos explicados que são pouco claros sobre as suas praticas e que deixam algumas duvidas sobre a sua legalidade.

    Lamento seriamente e apelo aos jornalistas do nossos pais de investigar sobre estes casos para esclarecer a população mais humilde a não cair neste tipo de historias. A denunciar estas praticas e dar a conhecer as autoridades este tipo de burlas

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