BF Grupo – exploração

O nosso país está em crise, e a procura de trabalho, numa empresa digna, profissional e de respeito, nos dias que correm é cada vez mais difícil. No passado dia 3 de Novembro de 2011, andava à procura de anúncios para trabalho quando me saltou à vista um anúncio que dizia, Oportunidade de Trabalho, enviei o meu currículo, nem sequer achando que ia obter resposta. No dia a seguir, dia 4, recebo um telefonema, por parte da empresa, AMP,Unipessoal, Lda., dando conta que tinha sido selecionada para a entrevista.

Achei a brevidade da resposta, muito estranha. Ainda assim, no dia, hora e local combinado estava lá para a entrevista.

O que aconteceu foi que o suposto “administrador” da empresa, tentou “vender o seu peixe” dizendo que era jovem e já era administrador, nunca foi revelado, durante a entrevista que função eu iria desempenhar.

Muito menos senti que aquilo fosse uma entrevista, pois não fui “avaliada” em nada, ele apenas se limitou a falar de si e do seu sucesso. Nesse mesmo dia, da parte da tarde, recebo uma chamada da empresa, dando-me conta de que eu tinha passado à 2ªfase da entrevista, em que esta consistia em eu passar um dia com eles e ver o que realmente faziam.

Apreensiva, resolvi comparecer nesse dia, e tal não foi o meu espanto, quando a função que eu iria desempenhar seria, venda porta a porta, de um telefone, de uma operadora nacional, até aqui tudo bem.

Os colaboradores, daquela empresa não têm vencimento base, recebem consoante os contratos que fazem, se não fizerem nenhum são postos na rua, logo o seu ordenado pode variar, nunca têm um ordenado certo, nem vencimento-base, com que contar no final do mês; a área onde eles actuam é bairros sociais, dizendo que a comunidade cigana é aquela que lhes dá mais dinheiro; Algumas das raparigas, queixaram-se que durante o trabalho já tinham sido perseguidas por indivíduos com facas e armas, qual não foi o meu espanto quando me contaram isto.

Os colaboradores, em especial, as raparigas, têm uma forma de se vestirem bastante “atraente” para quem anda a vender um produto e não o seu próprio corpo; no inicio falaram-me que ia ter formação, mas a formação deles é apenas uma conversa de café, “vais aquele prédio, tocas nas campainhas dizes isto e aquilo.”, ora isto para mim, não corresponde de todo a formação; as deslocações que fazem, bem como, a alimentação fica ao encargo dos colaboradores, portanto só sai dinheiro do bolso destes, relembrando, que não têm “segurança” monetária ao final do mês; o esquema que usam para tentar vender o produto é do género “Parabéns, foi sorteado! acabou de receber este telefone” e no caso dos idosos “o Fernando Mendes mandou-me cá vir entregar este telefone”.

Apesar de venderem um produto que está disponível no mercado, o marketing que usam é demasiado agressivo. Falam em formação, mas esta não existe, como disse, é apenas uma conversa de café. Para que futuros colaboradores fiquem aliciados falam que daqui a 6 meses podem ser administradores da empresa, sendo que não irão ser administradores, mas sim gerentes. Nunca me foi falado em contrato de trabalho, duração, prémios, horas laborais, folgas, etc. Dizem, também ser a única empresa a apresentar resultados em tempo de crise.

Posto isto, no final do dia quando regressei ao escritório, para a conversa final, já ia com a ideia, de que aquele tipo de trabalho e esquemas não se enquadravam comigo, eu quero arranjar um trabalho e não ser explorada, já para não falar nas mentiras que me foram ditas, a empresa revela muito mas mesmo muito pouco profissionalismo. Quando falei disto ao suposto “administrador” fez questão de me humilhar e tratar como se fosse lixo, ora uma pessoa que está à frente de empresa não pode ter este tipo de comportamento, quando alguém lhe diz que não se encaixa no perfil da empresa.

Desde o inicio, que sabia que havia alguma coisa por de trás de um crescimento tão rápido, e de uma subida tão rápida na empresa. Quanto maior é a subida, maior é a queda.

A minha queixa, vem apenas no sentido de alertar as pessoas, que tal como eu estão à procura de trabalho e têm a infelicidade de ir parar a empresas deste género. Abram os olhos, e não se deixem levar por esquemas deste tipo, e lembrem-se que o país está em crise, mas nós não nos temos de sujeitar “a qualquer tipo de trabalho” como o administrador disse, muito menos um, que não nos dá estabilidade financeira, num momento temos tudo noutro não temos nada.
Por: Maria Ferreira