Leque de Impulsos

Sabemos já que as empresas que contratam aproveitam a crise para explorar os seus colaboradores mas ainda mais grave é existirem esquemas que iludem aqueles que desesperadamente procuram um emprego.

Dia 22 de Fevereiro, em mais uma procura de emprego, enviei o meu CV como resposta a um anúncio de uma “multinacional na área de publicidade e marketing, a abrir novos escritórios na Margem Sul. Recruta para as áreas de Administração, Comunicação, Publicidade….”

Logo no dia seguinte, ligou-me a Rute, recepcionista, a marcar uma entrevista para dia 24 às 11h.

A dita entrevista foi conduzida por um homem de sotaque brasileiro, Gilmar, que muito convenientemente não mencionou o seu apelido, assim como a recepcionista.

Durante uns breves 2 minutos, apenas me fez questões para confirmar os dados de uma ficha de informações pessoais que eu tinha preenchido antes de entrar, e falou-me muito vagamente da empresa.

Da história de várias décadas, dos 140 escritórios na Península Ibérica, dos quais cerca de 45 em Portugal e dos clientes que tinham angariado, que motivavam a abertura de novos escritórios, e a contratação de mais pessoal.

Entre os clientes, citou empresas como a Sonae, a Galp, a Medis entre outras bem conhecidas. Explicou que, como empresa de marketing e publicidade, lhe cabia fazer a divulgação de novos produtos lançados pelas empresas suas clientes. Mas isto tudo dito tão breve quanto possível, sem lugar a questões.

Nesse mesmo dia, antes das 15h recebi um telefonema da Rute “Parabéns Patrícia! O Director adorou-a, foi uma das favoritas. Venha a uma entrevista de observação na segunda feira, 27 de Fevereiro. Estará connosco desde as 10H15 até às 19h. Como norma da empresa, não poderá usar jeans, deverá vestir-se de forma profissional e trazer calçado confortável pois passará várias horas de pé”

Achei estranho que o processo de recrutamento acontecesse tão rapidamente, mas ainda assim, fiquei entusiasmada com a possibilidade de um novo emprego. Ao longo do fim-de-semana comentei com amigos e foi numa destas conversas que fui alertada para a hipótese de se tratar de uma fraude.

Hoje, 27 de Fevereiro, dirigi-me à empresa, mas com a pulga atrás da orelha, decidi confrontar de imediato a recepcionista com as minhas dúvidas e questionei algo deste género “uma vez que me foi dito que passarei o dia todo convosco, gostaria de saber exactamente ao que venho pois já tenho ouvido coisas sobre este tipo de entrevista”

Reparei que a recepcionista ficou incomodada com a pergunta e sem saber o que responder, então completei: “quero saber se isto é o que pregam ou se se trata apenas de vendas porta a porta e de estratégias para enganar as pessoas..” ao que ela respondeu efectivamente não puder negar que a empresa recruta para vendas porta a porta…

Não esperei que completasse a resposta, pedi de imediato a minha ficha e saí porta fora.